‘Se continuar nessa política de saúde, vamos passar os EUA’, diz Badaró

O médico infectologista dr. Roberto Badaró comentou a estratégia de testagem da população brasileira adotada pelo Ministério da Saúde e fez críticas à condução dos trabalhos por parte do governo federal contra o coronavírus. Em entrevista hoje (8) a Mário Kertész, na Rádio Metrópole, o profissional de saúde alerto para a possibilidade do país ultrapassar os Estados Unidos e se tornar o epicentro da doença.

“A gente vê que estamos nos distanciando do controle porque não implantamos as medidas eficazes no Brasil. O país está com quase 150 mil casos. O total de número de testes feitos pelo Ministério de Saúde fez 300 mil testes e 100 mil na fila para zerar. É uma piada. O americano faz 1,5 milhão de testes por dia e está pagando um preço por ter atrasado. Os EUA está há duas semanas na frente. O Brasil estava em 18º, já estamos em 7º. Se continuar nessa política, vamos passar os EUA. Eu não gostaria de ganhar essa corrida negativa”, declarou.

Ainda segundo Badaró, a centralização dos exames é um problema grave e prejudica a real noção do quão disseminada a doença está no estado. De acordo com o médico, pacientes que não estão diagnosticados com coronavírus acabam encaminhados para locais exclusivos de tratamento da Covid-19.

“A política de centralização dos laboratórios centrais do estado é uma política perversa do Ministério de Saúde. Não quer que saibamos quantos doentes temos. Aí pega um doente, que está lá acamado com AVC, deitado em uma UPA, é transferido para o hospital do Covid por ter somente a suspeita. Se não tinha, vai ter”, afirmou o infectologista. 

O confinamento voltou a ser um tema abordado por Badaró. Ele citou o caso do paciente de 55 anos que surtou nessa semana e ateou fogo em um quarto do Hospital Espanhol. Ele pulou da janela do quarto e chegou a ser atendido. Após testes, ficou constatado que ele não tem o coronavírus.

“O confinamento traz um problema psicológico grave em todos os aspectos. Todos têm temor nisso. As pessoas estão com medo de se infectar. Os médicos, enfermeiros e técnicos estão lá, mas ele não tem telefone, televisão ou nada para conversar. O secretário de saúde está mitigando esse risco, mandou rapidamente televisões para lá e o próprio grupo que administra já providenciou formas de se comunicar com os pacientes e seus familiares”, disse Badaró. 

Ele reforçou que há uma necessidade especial de se discutir o chamado “lockdown”, medida em caráter de urgência que restringe a circulação de pessoas em áreas da cidade. Em Salvador, a prefeitura determinou rigidez na fiscalização dos decretos municipais em pelo menos três áreas: Plataforma, Av. Joana Angélica e Boca do Rio.

“Infelizmente as pessoas não sabem o que é o lockdown. Por trás disso, tem toda uma política de georreferência e estudos. É preciso tomar atitudes com consciência. Não pode ser tomada com a opinião que a pessoa quer. Temos que tentar mudar a direção e acertar mais. Estou na linha de frente, se eu pegar Covid-19, vou me tratar. Mas eu não dou chance, uso os EPIs e estou lá falando com meus pacientes e minha equipe. Nós temos que enfrentar aquilo que é a Covid e organizar o que não”, reafirmou Badaró. 

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